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Archive for the ‘Textos Interessantes e Importantes’ Category

Uma boa noite a todos!

Não poderia deixar de postar algo neste dia de hoje!hehehe!!

Afinal, apesar de manter esta página, não sou da área de informática, mas sim professora de QUÍMICA! E não poderia deixar de postar alguma coisa no DIA DO QUÍMICO, que é hoje!

O texto é bem divertido!

Espero que apreciem!!

Abraços a todos!

*

Carta de Amor de um Químico

Berílio Horizonte, zinco de benzeno de 2006.

Querida Valência:

Não estou sendo precipitado e nem desejo catalisar nenhuma reação irreversível entre nós dois, mas sinto que estrôncio perdidamente apaixonado por você. Sabismuto bem que a amo. De antimônio posso lhe assegurar que não sou nenhum érbio e que trabário muito para levar uma vida estável.
Lembro-me de que tudo começou nurârio passado, com um arsênio de mão, quando atravessávamos uma ponte de hidrogênio. Você estava em um carro prata, com rodas de magnésio. Houve uma atração forte entre nós dois, acertamos os nossos coeficientes, compartilhamos nossos elétrons, e a ligação foi inevitável. Inclusive depois, quando lhe telefonei, mesmo tomada de enxofre, você respondeu carinhosamente:
“Proton, com quem tenho o praseodímio de falar?” Nosso namoro é cério, estava índio muito bem, como se morássemos em um palácio de ouro, e nunca causou nehum escândio. Eu brometo que nunca haverá gálio entre nós e até já disse quimicasaria com você.
Espero que você não esteja saturada, pois devemos buscar uma reação de adição e não de substituição. Soube que a Inês lhe contou que eu a embromo: manganês cuidar do seu cobre e acredite níquel que digo, pois saiba qe eu nunca agi de modo estanho. Caso algum dia apronte alguma, eu sugiro que procure um avogrado e que me metais na cadeia.
Sinceramente, não sei por que você está a procura de um processo de separação, como se fóssemos misturas e não substâncias puras! Mesmo sendo um pouco volátil, nosso relacionamento não pode dar errádio. Se isso acontecesse, irídio emboro urânio de raiva.
Espero que você não tenha tido mais contato com o Hélio (que é um nobre!),
nem com o Túlio e nem com os estrangeiros (Germânio, Polônio e Frâncio). Esses casos devem sofrer uma neutralização ou, pelo menos, uma grande diluição. Antes de deitar-me, ainda com o abajur acesio, descalcio meus sapatos e mercúrio no silício da noite, pensando no nosso amor que está acarbono e sinto-me sódio. Gostaria de deslocar este equilíbrio e fazer com que tudo voltasse à normalidade inicial. Sem você minha vida teria uma densidade desprezível, seria praticamente um vácuo perfeito. Você é a luz que me alumíno e estou triste porque atualmente nosso relacionamento possui pH maior que 7, isto é, está naquela base.
Aproveito para lembrar-lhe de devolver o meu disco da KCl.
Saiba, Valência, que não sais do meu pensamento, em todas as suas camadas.

Abrácidos,
Leantânio

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Um ótimo início de semana a cada um[a]!

[]’s

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A VOZ DO SILÊNCIO

“Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala”…..

Simples! Rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse
verdades terríveis pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades…
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois
abre a boca. Silêncios que falam…
Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão
não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de
tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil
vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois
ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de
entendimento.
Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas,
jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são
compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes,
numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: “Diz alguma coisa,
mas não fica aí parado, me olhando”! É o silêncio de um mandando más
notícias para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem vindo. Para um
cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para
a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças
de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação
é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da
paz.
O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando
ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e
mesmo assim você entende a mensagem…
[Martha Medeiros]

*

Boa tarde a todos.

Um breve texto para nossa reflexão.

Espero que apreciem!

Tenham todos um ótimo Final de Semana!!

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Natureza

Boa tarde a todos!

Eu sei, eu sei, o dia foi ontem, mas eu não tive tempo de vir aqui postar..perdoada?!

=]

Bom pessoal, gostaria de um pouco de reflexão hoje. Num mundo como o que vivemos atualmente, onde a população [de forma geral] não possui uma consciência ecológica ativa..o que é falar sobre MEIO AMBIENTE?!

Lembrando também que, apenas consciência não leva a lugar nenhum se não houver ação!

Então, diga: ‘O que você tem feito para melhorar o meio ambiente ao teu redor?’ [seja na tua casa, no teu bairro, na escola onde estuda (ou trabalha), em teu ambiente de trabalho, na Igreja onde participa?!] enfim, você tem feito algo em prol da nossa Mãe-Natureza?!

[Quero as respostas hein!!Mesmo que seja um NÃO].

Boa semana a todos nós!

[ ]’s da Profª Thaiza Montine

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Boa tarde a todos!

Recebi essa informação de minha amiga Leonor Cordeiro, que também faz parte do Grupo Blogs Educativos, e achei por bem estar repassando a vocês, afinal, diz respeito não apenas a professores, bem como aos alunos, e à comunidade de uma forma geral.

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Acordo Ortográfico

Alfabeto passa a ter 26 letras

Está para entrar em vigor a unificação da Língua Portuguesa que
prevê, entre outras coisas, um alfabeto de 26 letras.

“A frequência com que eles leem no voo é heroica!”.

Ao que tudo indica, a frase inicial desse texto possui pelo menos quatro erros
de ortografia. Mas até o final do ano, quando deve entrar em vigor
o “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, ela estará
corretíssima. Os países-irmãos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-
Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste
terão, enfim, uma única forma de escrever.
As mudanças só vão acontecer porque três dos oito membros da
Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as
regras gramaticais do documento proposto em 1990. Brasil e Cabo
Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão,
que veio no final do ano passado, em
novembro, por São Tomé e Príncipe.

Tão logo as regras sejam incorporadas ao idioma, inicia-se o
período de transição no qual ministérios da educação, associações e
academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos
recebam as novas regras ortográficas e possam, gradativamente,
reimprimir livros, dicionários, etc.
O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o
inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha
a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais.
Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios
para exames e certificados para estrangeiros.
Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do
vocabulário de Portugal seja modificado.
No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a
escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão
conservadas as pronúncias típicas de cada país.
O que muda.
As novas normas ortográficas farão com que os portugueses, por
exemplo, deixem de escrever “húmido” para escrever “úmido”. Também
desaparecem da língua escrita, em Portugal, o “c” e o “p” nas
palavras onde ele não é pronunciado, como nas palavras “acção”,
“acto”, “adopção”, “baptismo”, “óptimo” e “Egipto”.
Mas também os brasileiros terão que se acostumar com algumas
mudanças que, a priori, parecem estranhas. As paroxítonas
terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento
circunflexo. Ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os brasileiro
terão que escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”.
Também não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas
do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos
“crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus decorrentes, ficando correta a
grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.
O trema desaparece completamente. Estará correto escrever
“linguiça”, “sequência”, “frequência” e “quinquênio” ao invés de
lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.

O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação
do “k”, do “w” e do “y” e o acento deixará de ser usado para
diferenciar “pára” (verbo) de “para” (preposição).

Outras duas mudanças: criação de alguns casos de dupla grafia para
fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa
do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação,
tais como “louvámos” em oposição a “louvamos” e “amámos” em
oposição a “amamos”, além da eliminação do acento agudo nos
ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como
“assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”.

Antônio Houaiss

A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um
estandarte de Antônio Houaiss, um dos grandes homens de letras do
Brasil contemporâneo, falecido em março de 1999. O filólogo
considerava importante que todos os países lusófonos tivessem uma
mesma ortografia. No seu livro “Sugestões para
uma política da língua”, Antônio Houaiss defendia a essência de
embasamentos comuns na variedade do português falado no Brasil e em
Portugal.

Fontes para comentar o assunto:

William Roberto Cereja – Mestre em Teoria Literária pela USP,
Doutor em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Professor
graduado em Português e Lingüística e licenciado em Português pela
ensino em São Paulo e Autor de obras didáticas.

Marcia Paganini Cavéquia – Professora graduada em Português e
Literaturas de Língua Portuguesa; Inglês e Literaturas de Língua
Inglesa pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pós-graduada
em Metodologia da Ação Docente pela UEL, Palestrante e consultora
de escolas particulares e secretarias de
educação de diversos municípios e Autora de livros didáticos.

Cassia Garcia de Souza – Professora graduada em Português e
Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de
Londrina (UEL), Pós-graduada em Língua Portuguesa pela UEL,
Palestrante e organizadora de cursos para professores da rede de
ensino, Assessora pedagógica e Autora de livros didáticos.

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[quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007]

Um bom dia a todos!
Bom, é certo que há tempos não atualizava por aqui, mas hoje li um texto que não tem como deixá-lo de fora de nosso jornal.
Tudo bem, sei que se trata de um texto longo, por isso peço que leiam com atenção e apurado senso crítico!
O contexto em si é meio revoltante…!!
.

Sobre Nova York, professores e escolas públicas

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal
dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer,
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau
Caetano Veloso

por Walter Takemoto

O jornal “Folha de S. Paulo” do dia 04 de fevereiro último publicou coluna escrita pelo jornalista Gilberto Dimenstein, em que trata dos problemas das escolas públicas brasileiras tomando como referência experiências em desenvolvimento na América do Norte, mais precisamente em Nova York. Considero importante sua preocupação com as escolas públicas brasileiras, mas não posso deixar de manifestar minha discordância com algumas idéias defendidas pelo jornalista.

Apresenta ele experiências nova-yorkinas que certamente deve ter estudado e que diz serem de sucesso, as quais, confesso, não conheço e a leitura da coluna não permite conhecer em detalhes. Dentre essas experiências de qualidade e sucesso, o jornalista destaca a que abre as escolas para qualquer profissional, formado ou não, que queira assumir o lugar de um professor – profissional do magistério, portanto – pelo salário inicial equivalente a R$ 7.500,00 mensais. Contratado, o novo profissional passa por uma “preparação” de três semanas (!!!). Após assumir uma sala de aula, caso queira, poderá fazer gratuitamente um curso de especialização destinado a titulá-lo para que possa ser professor definitivamente.

Entusiasmado com a proposta, o jornalista exalta o fato de profissionais liberais e executivos, de grandes empresas, alguns já aposentados, assumirem as salas de aulas no lugar dos professores e, a partir daí, os resultados serem melhores. Gilberto Dimenstein, segundo suas próprias palavras, considera que esses profissionais liberais e executivos representam “um material humano que dificilmente poderia ser mais bem qualificado e motivado”. Ou seja, para o jornalista esses que se prontificaram a ocupar o lugar de um professor são mais bem qualificados que os professores para ensinar aos alunos!

O convite feito na matéria é para examinarmos essas propostas com o propósito de aprender com as medidas implementadas pelo prefeito de Nova York. Para minimizar a comparação entre a cidade dos EUA e as do Brasil, diz o jornalista que o orçamento de Nova York é de 35 bilhões, sem contar recursos de outras fontes, como fundações privadas e o governo estadual. Diz ainda que, por lá, a prefeitura está construindo pequenas escolas, por avaliar que podem acolher melhor os alunos, que passam a se sentir reconhecidos e estimulados. Nessas escolas, segundo a matéria, a equipe escolar conta com recursos para formação continuada, atividades extracurriculares, inovações pedagógicas, entre outras. O diretor tem mais autonomia, mas pode ser demitido caso não alcance as metas estabelecidas pela prefeitura. Escreve o jornalista que o prefeito da cidade apostou que encontraria mais soluções na sua rica vivência de gestão empresarial do que nos escritos acadêmicos.

Sem dúvida alguma as experiências de sucesso e o conhecimento produzido a partir delas devem ser estudados e, sendo possível, adotados onde fizerem sentido para responder a desafios semelhantes aos que lhes deram origem. Entretanto, como bem sabemos, as escolas, as realidades, os problemas, as soluções e as condições contextuais merecem uma análise profunda do que se apresenta como propostas e não a defesa simplória do que seria bom sob quaisquer circunstâncias.

Concordo com algumas posições defendidas pelo jornalista em relação aos problemas graves existentes na educação brasileira, como o elevado número de faltas, o corporativismo sindical, a ausência de avaliação de desempenho pautada em indicadores que de fato avaliem o sistema de ensino e o profissional, entre outros.

No entanto, não faz o menor sentido que as iniciativas para a suposta solução desses problemas estejam assentadas no inaceitável equivoco de desqualificar os profissionais da educação, responsabilizando-os, única e exclusivamente, pelo fracasso escolar, um problema de grave dimensão social de múltiplas causas.

De tempos em tempos assistimos ao surgimento de propostas milagrosas para elevar a qualidade das escolas públicas e das aprendizagens dos alunos. Da compra de “pacotes educacionais”, produção de livros didáticos e manuais para os professores “ao gosto do cliente”, até os programas televisivos que dispensam a presença de professores, são inúmeras as soluções que empresas, editoras e outras instituições oferecem aos prefeitos e secretários de educação, para resolver os problemas da educação. Por trás dessas propostas, de forma mascarada, o que se propõe é minimizar a importância do professor no processo de ensino e de aprendizagem.

Ao se comprar “pacotes educacionais” ou livros didáticos pré-formatados, para a cidade ou região, com o respectivo caderno do professor e atividades pré-estabelecidas (o que não difere muito dos pacotes), o que se está comprando na verdade é um receituário a ser aplicado pelo docente, que deve seguir à risca o que alguém produziu em algum lugar. A partir da experiência de Nova York, Gilberto Dimenstein nada mais fez do que escancarar o que outros propõem de forma envergonhada: se não podemos tirar o professor da escola, vamos reduzir a sua importância em sala de aula!

As críticas que podemos fazer aos educadores, que cabem ao conjunto do funcionalismo público, não podem, em hipótese alguma, se transformar na sua condenação como culpados pela crise da escola pública.

Se nesse processo existem culpados e vitimas, podemos dizer que, muito mais do que culpados, os professores são principalmente vitimas de:

– uma ação deliberada das elites que sucateiam os serviços sociais que são destinados aos setores populares da sociedade, ao mesmo tempo em que privatizam o Estado naquilo que lhes interessam e engordam os seus patrimônios;

– relações paternalistas e assistencialistas que marcam a nossa cultura político-partidária, à direita ou à esquerda, que desorganizam e não educam os setores populares para que tenham uma ação afirmativa de direitos e de controle social sobre o Estado e os serviços públicos;

– uma formação inicial de professores incompatível com a complexidade e as necessidades das escolas públicas e de seus alunos, que colocam jovens supostamente habilitados ao exercício da profissão diante de uma enorme responsabilidade com a formação e a vida escolar de centenas de crianças e adolescentes, mas na realidade despreparados para ensina a todos com qualidade – um tipo de formação que, muitas vezes, se ocupa em preparar futuros professores para o exercício do discurso pedagógico de vanguarda e não para uma atuação profissional competente;

– uma cultura escolar e profissional que tem como representação simbólica de aluno uma criança branca, de classe média, do meio urbano e católica, tratando, portanto, como “estranhos” a grande maioria dos alunos que freqüentam as nossas escolas e que não correspondem a essa representação, desvalorizando, assim, os conhecimentos sociais e culturais que trazem de suas vivências;

– gestores despreparados e, para piorar, às vezes sem nenhum compromisso com a qualidade da educação, incapazes de avaliar com seriedade as políticas e programas em desenvolvimento ou as que são necessárias para construir um processo que possa coesionar os educadores e a comunidade em torno de ações para alcançar os resultados que interessam à população;

– inexistência de políticas de valorização dos profissionais da educação, em contradição com as exigências e responsabilidades depositadas sobre eles, que recebem um dos mais baixos salários pagos entre os países da América do Sul (quanto mais comparados aos de Nova York!). Segundo o INEP/MEC (2003), o salário médio de um professor do ensino fundamental é de R$ 462,00 e um professor do ensino médio recebe quase a metade do que ganha um policial civil e um quarto do que ganha um delegado de polícia. As diferenças salariais regionais são brutais: um professor da educação infantil do sudeste ganha em média R$ 522 e no nordeste o salário é de apenas R$ 232,00. Diante dessa situação, grande parte dos professores acaba por assumir dupla ou tripla jornada de trabalho, o que significa ausência de tempo para um envolvimento efetivo com o trabalho pedagógico, essencial para a qualidade do ensino, como planejar o ensino a partir das necessidades de aprendizagem dos alunos, trabalhar coletivamente com os seus pares, discutir o projeto pedagógico da escola, entre outros;
– condições institucionais desfavoráveis para professores e alunos, uma vez que se constata que 45% das escolas não possui bibliotecas, 80% não possui laboratórios, além do número excessivo de alunos em salas de aula, em alguns casos superando 40 por turma.

Podemos acrescentar muitos outros problemas que acabam por interferir na qualidade da escola pública, pois, como bem lembra o Prof. César Coll, em nenhum outro período histórico os grupos sociais depositaram tantas expectativas e responsabilidades em um só tipo de prática educativa e exigiram tanto da educação escolar como hoje. Se isso ocorre, não vemos, pelo menos no Brasil, a sociedade oferecer aos educadores as condições e os recursos necessários para que possam cumprir adequadamente com a sua função social.

Além do que, por abrigar em seu interior e no seu cotidiano contradições sociais presentes na sociedade, as escolas – e os professores – são chamados a dar respostas para os dilemas e problemas sociais que fazem parte da vida de seus alunos, como o desemprego, a gravidez precoce, o consumo de drogas, a violência, enfim, tudo o que marca o processo de exclusão social de grande parte das crianças, adolescentes e jovens que freqüentam as salas de aula. E os governantes do nosso país, portanto também a sociedade, estão permitindo que cada vez mais se cobre dos educadores e das escolas que se responsabilizem isoladamente por problemas que são estruturais do nosso país. E sobre essa questão é preciso lembrar o que diz a professora Magda Soares: “a democratização da educação não depende só nem sobretudo dela, educação, porque é impossível a democratização da educação numa sociedade como a nossa, dividida em classes de forma tão gritante, tão revoltante, com diferenças tão grandes de condições sociais e econômicas. Enquanto as desigualdades e as discriminações não se resolverem, a educação pouco pode fazer. O problema fundamental são as condições sociais do país”.

Se nossos professores “não são os sujeitos brilhantes de Nova York”, apesar de tudo o que a elite fez, em mais de cinco séculos, para inviabilizar a escola pública de qualidade para os mais pobres e excluídos, ainda assim, quem quiser vai descobrir em quase todo o país professores e professoras que teimam em acreditar e fazer acontecer uma escola que garante uma aprendizagem de qualidade a todos os alunos e alunas. São homens e mulheres que demonstram, cotidianamente em suas salas de aula, que a tão sonhada escola pública de qualidade é possível, principalmente quando se oferecerem aos educadores os recursos, o tempo e as condições institucionais que favorecem o protagonismo na construção dessa escola de qualidade para todos, o que significa dizer que também os educadores devem estar à frente da discussão sobre a política educacional necessária para o país, mesmo que assim não queiram os gestores ou os sindicalistas – aqueles que acreditam que conquistar uns 10% ou 15% a mais de reajuste salarial ao ano significa oferecer aos professores a valorização profissional que merecem.

Não conheço suficientemente os professores americanos, suas expectativas, seus desejos, frustrações profissionais, compromissos e lutas…mas, do que pude conhecer dos professores brasileiros, posso assegurar que por aqui as soluções são bem outras, diferentes daquelas que o jornalista apresenta em seu artigo. Ousaria afirmar que me parece que por lá também!

Walter Takemoto é educador.

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